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Município do Concelho de Chaves - Portugal

Eduardo Chaves

Quem sabe descendente de um dos Chaves da cidade de Chaves em Portugal...

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Espaço Liberal de Eduardo Chaves

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November 12

A razão deste space

Sou Eduardo Chaves, moro em Campinas, SP, Brasil. Estou no momento visitando Portugal. Depois de passar uma semana em Lisboa, estou, já faz alguns dias, no Porto.

Mas hoje, 10 de novembro, sexta-feira, tirei o dia para ir visitar a cidade de Chaves -- o "município do Concelho de Chaves", parece ser o nome completo e formal da cidade. Não é perto do Porto. Na verdade, fica a cerca de 180 km, na direção de Trás-os-Montes, ao norte de Vila Real, mais ou menos entre as serras do Barroso e da Padrela, mas um pouco ao mais ao norte, às margens do rio Tâmega, já bem perto da fronteira de Portugal com a Espanha (no rumo de Verín): de Chaves até a fronteira entre Portual e Espanha são 10 km apenas.

Chaves é cidade antiga. Foi fundada pelos romanos, em 78 AD, com o nome de Aquae Flaviae. A referência à água no nome original se deve ao fato de que a cidade é famosa por suas águas termais (aqui conhecidas como “caldas”). Depois dos romanos, ocuparam a cidade os suevos, os visigodos e os mouros. A cidade só passou a ser portuguesa com a criação do reino de Portugal, por Dom Afonso Henriques, e a reconquista das terras portuguesas que estavam nas mãos dos mouros. Há várias teorias para a transformação do nome “Aquae Flaviae” em “Chaves”. Segundo alguns, numa teoria que parece ser a mais geralmente aceita, “Chaves” é uma corruptela de “Flavia” / “Flavius” . Outros afirmam que Nuno Álvares Pareira, herói da batalha de Aljubarrota, nas guerras da reconquista, teria recebido na cidade as chaves do Norte de Portugal. Uma terceira teoria apela para o fato de que a cidade era murada, e que, como tal, só era aberta com chaves...

O monumento mais famoso da cidade é a maravilhosa ponte romana sobre o rio Tâmega, construída, em pedras romanas, com 16 arcos, em cerca de 100 AD (na época do imperador Trajano) – e extremamente bem conservada até hoje, tanto que é usada: carros passam em cima dela o tempo todo. A ponte deu maior importância à cidade, que se tornou um entreposto importante na rota entre Astorga, na Espanha, e Braga, em Portugal.

Já devia ter perto de 50 anos quando ouvi falar em Chaves pela primeira vez. A pessoa que trouxe Chaves ao meu conhecimento foi meu grande amigo Paul Shephard. O Paul foi meu colega na UNICAMP, mas depois saiu para trabalhar na ALCOA (empresa na qual implantou toda a estrutura de recursos humanos na fábrica de São Luís, MA) e, depois, da DuPont (empresa pela qual foi enviado a Oviedo, no Norte da Espanha, para também implantar a estrutura de recursos humanos da fábrica que estava sendo construída ali). Ao todo creio que ele viveu cerca de 10 anos em Oviedo, até se aposentar e voltar para os Estados Unidos, seu país natal. Em uma dessas viagens de conhecimento da região, provavelmente num fim de semana, o Paul foi parar em Chaves – e lá comprou um jornal da cidade (“Notícias de Chaves”), que me enviou. Foi assim que tomei da existência de uma cidade com o nome da minha família.

No devido tempo li que muitos dos Chaves que existem pelo mundo são, provavelmente, oriundos de famílias que têm suas raízes em Chaves, PT. Faz sentido. Ainda esta semana li algo a respeito num livro que vi na Fnac aqui no Porto. Mas seja lá como for, adotei Chaves como minha “alma mater” aqui em Portugal, mesmo sem conhecer a cidade.

Hoje fui lá prestar nossa homenagem à cidade que tem o meu nome – ou a cidade cujo nome eu carrego. Saímos cedo, minha mulher, Sueli, e eu, por volta das 7h. Encontramos o caminho facilmente para sair da cidade – também eu estudei o mapa cuidadosamente ontem e pedi alguma ajuda ao recepcionista do hotel. Em pouco tempo pegamos a A3, de lá a A4, que depois vira IP4 e com esse nome chega a Vila Real. De lá pegamos a N2 até Chaves – uma estrada estreitinha, cheia de curvas, passando pelas montanhas...

Chegamos a Chaves por volta das 10h30 – e a cidade estava coberta de névoa. Não dava pra ver quase nada. A névoa só sumiu por volta do meio dia.

No ínicio fiquei meio desapontado. A névoa não deixava ver quase nada, entramos na cidade por um lado ruim... Mas aos poucos fomos descobrindo as belezas da cidade – à medida que a névoa ia indo embora.

Vou direto ao ponto: nada se compara à Ponte Romana. Vou colocar aqui neste space várias fotos dela. Fiquei a andar pelas margens, tirando centenas de foto. A Sueli se cansou e se sentou, ficando apenas a olhar. (Espero que apreciem minhas construções lusitanas: a andar, a olhar – em vez do gerúndio). Tirei fotos dos dois lados da ponte e das duas margens. Até os patos (ou gansos) que estavam no rio entraram na minha dansa. Fiquei parado ali, olhando para a ponte, e imaginando que ela tem quase dois mil anos – e está ali, funcionando direitinho, tão bonita quanto sempre foi.

Um outro ponto de interesse: o Castelo de Chaves e a muralha da cidade, quase que totalmente destruídos hoje, exceto pela Torre de Menagem (que abriga um Museu Militar) e por pedaços da muralha aqui e ali. A torre está cercada por um lindo jardim, muito bem cuidado. O castelo original data do período romano, mas foi arrasado no século XIII, depois reconstruído, no século XIV, por Dom Dinis, mas novamente destruído. Como disse uma senhora com quem entabulamos conversa numa loja, parte do castelo e da muralha foi destruída e parte está “subterrada”.

Lindo também é o Forte de São Francisco, do século XVI, que abrigou um convento e hoje abriga um hotel (além de uma linda capela). Entrei lá, andei... Tem também uma taverna muito pitoresca, daquelas com pernis e lingüiças penduradas no teto. Há um outro forte, fora da cidade, o de São Neutel (construção iniciada em 1664), mas esse não fomos ver. Fica, quem sabe, para outra vez...

O Paço dos Duques de Bragança também vale a pena ver. Vários prédios bonitos ali, datando do século XVIII, hoje abrigam o Museu da Região Flaviense (flaviense é o adjetivo referente a Chaves) e parte da Biblioteca Municipal – embora tenha sido construída uma nova biblioteca, perto do Correio, muito chique e moderna. (Fui lá para obter uma versão digital do brasão da cidade).

Quanto às termas, transcrevo aqui o texto do folheto sobre Chaves distribuído pela Região de Turismo do Alto Tâmega e Barroso:

“As Caldas de Chaves ou Termas de Chaves: situam-se em plena cidade, entre o rio Tâmega e a zona urbana medieval, são as segundas mais freqüentadas do País. As suas águas são alcalinas, com um PH aproximado de 7,3, bicarbonatadas-sódicas e hipertermais. São indicadas para o tratamento de afecções reumatismais, osteo-articulares, do aparelho digestivo e das vias respiratórias. A temperatura das águas, à saída das nascentes, é de 73 graus, durante todo o ano, o que faz delas as mais quentes da Península Ibérica e as águas bicarbonatadas-sódicas mais quentes da Europa. As Caldas de Chaves, tão antigas quanto a própria urbe, são uma das mais conceituadas estâncias termais portuguesas. Todos os anos, especialmente durante o Verão, deslocam-se aqui milhares de aquistas e seus familiares vindos de todos os pontos do País e do estrangeiro. As Caldas de Chaves foram distingüidas com o prémio de ‘Melhor Unidade Termal’ pelos participantes do programa Saúde e Termalismo Sénior do Inatel”. (Vide http://rt-atb.pt).

Almoçamos no restaurante do Hotel Trajano, onde comemos bacalhau e tomamos uma garrafa de vinho local – muito bom, por sinal. Na saída da cidade encontrei o prédio da Cooperativa Agrícola e Vinícola de Chaves, onde comprei uma garrafa de um vinho, marca Chaves, Reserva, 2001. Não abri ainda. Mas deve ser tão bom quanto o que tomamos no restaurante, outra marca da mesma cooperativa. Gostaria de poder levar para o Brasil várias caixas desse vinho, para comemorar ocasiões especiais com a família e os amigos.

Chegamos de volta ao redor das 20h. Comemos alguma coisa aqui no quarto mesmo. Eu continuo funçando nas minhas coisas. A Sueli já foi deitar-se.

Ainda sob a emoção de ter visitado Chaves, quero começar uma linha de reflexão sobre uma coisa que tem despertado a minha curiosidade, faz alguns anos. No mesmo dia registrei o domínio chaves.com.pt, criei um site lá, e resolvi criar este space.

Nasci em Lucélia, SP. Saí de lá pequeno (menos de um ano) e nunca mais voltei – até 2003. Em 2003 fui dar uma palestra em Dracena e aproveitar para ir de carro e passar um dia em Lucélia, que fica no caminho. Fiquei extremamente emocionado ao ver a cidade – especialmente quando localizei a casa em que nasci: um bangalozinho de madeira, com quarto, sala, cozinha e uma pequena varanda, situado quase num buraco, na antiga rua Amazonas. Nasci lá naquela casa, não no hospital. Ao contemplar a casa, ao ver a cidade, ao ver a igreja de que meu pai foi pastor (hoje é do Evangelho Quadrangular), ao visitar a estação ferroviária (abandonada) onde eu, com um mês de vida, tomei o trem para Campinas, fiquei emocionado. E me perguntei sobre o impacto que essas coisas têm sobre a gente. Terra natal.

Em Chaves, hoje, fui tomado pelo sentimento de raízes, antepassados, genealogia. Há tempo me interesso pro isso. Fiquei imaginando, enquanto olhava a ponte milenar, se alguns de meus antepassados teriam mesmo saído dali, daquela cidade, daquela região que se rotula flaviense. O meu irmão se chama Flávio – Flávio Chaves. Um tio-avô ou tio-bisavô meu, que foi senador da província de Minas Gerais, também se chamada Flávio – Flávio Gonçalves Chaves. Tenho uma foto dele, distintíssimo. Será que algum antepassado dele, e, por conseguinte, meu, veio do “Município do Concelho de Chaves”? Fico curioso. Curioso duas vezes: curioso para querer saber a resposta e curioso para querer saber por que isso parece importar tanto...

Chaves tem três jornais: o “Notícias de Chaves”, o “A Voz de Chaves”, e “O Intransigente”... Gostei do título deste último. Acho que devemos ser intransigentes mesmo, na defesa da liberdade, dos direitos, da verdade, da honra, do nome...

Como já disse, para homenagear Chaves adquiri o domínio chaves.com.pt – e já criei um esboço de site em http://www.chaves.com.pt

No Porto, no corpo, em Chaves, em espírito, 10 de novembro de 2006

 
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